Se relacionar

As pedras.

As pedras são tão bonitas. Tão bonitas de se relacionar.

Elas são tão estáveis, sofrem tão poucas mudanças ao longo do tempo. Isso dá tempo para se criar uma relação profunda e durável.

Mas, se elas despencam da montanha, elas vão se partir em tantos e tantos pedaços e serão tão diferentes em tão poucos segundos. Quase irreconhecível na sua forma. Tendo perdido a forma original.

E ainda assim conservado a sua essência, o seu material. Daquilo de que elas são feitas.

E ainda vai ser possível olhar para baixo, e agora não para cima, na direção daqueles tantos fragmentos e sorrir para eles, pois eles ainda são a pedra. Não só como uma unidade, mas agora como muitas unidades, e estarão sempre ligadas pela sua origem, mas cada bloco e cada pedaço seguindo o seu próprio rio.

O tempo não tem passado nem futuro. O futuro é tão igual ao passado e o passado tão igual ao futuro. O passado também muda assim como o futuro. Ou seja, o passado é tão futuro quanto o futuro. Não ouso falar novamente que o futuro é tão igual ao passado, porque ainda o passado parece uma perda, mesmo sabendo que o passado tem o seu próprio futuro.

E aqui entramos numa segunda parte desse post, não gostaria de me alongar nele, pois tudo aquilo que se alonga perde a essência, mas é importantíssimo dizer que o passado, que representa uma perda, representa também uma consolidação.

Aquilo que foi, seja uma perda, uma vitória, uma tristeza, uma derrota, uma derrocada de um clã, contém em si uma consolidação. Por exemplo, um clã que foi extinto é, assim, como a pedra que caiu da montanha e virou tantos pedaços que agora estão “mortos” comparados ao que eram antes, os corpos do clã morto, seguirão seus futuros individuais, não mais fazendo parte daquele fragmento original do clã vivo. Mas ainda serão pequenos soldados nas suas novas esferas, nos seus novos mundos. E levando tudo aquilo que foi plantado e colhido quando eram uma união naquele mundo.

E é com esse parágrafo que é proposto a hora de partir para que cada alma, cada bloco, cada fragmento se separe para seguir o seu novo caminho e descobrir novas coisas.

Tenho certeza de que como a origem é compartilhada como o topo da montanha onde a pedra se encontrava, por mais que ela não exista ali, o futuro de cada bloco vai agregar naquele espaço vazio onde no passado se encontrava uma pedra. De certa forma, mesmo se esquecendo e seguindo em frente, algo continua vivo naquela união. Talvez seja esquecido por um tempo, mas tenho certeza de que quando for lembrado vai ser ainda mais forte.

Apesar dos fragmentos nunca retornarem ao topo da montanha, eles seguirem o seu próprio caminho torna todo o passado daquele topo da montanha mais sólido e mais unido.

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