Meu amigo, minha amiga, é difícil sentir o que eu sinto.

Sentir o que eu sinto na intensidade que eu sinto é difícil. Gostaria de não sentir, gostaria de que fosse menos.

Mas talvez se eu não sentisse isso, ou se sentisse menos, não seria eu.

Faz muito tempo que eu sinto as coisas tanto. Lembro dos momentos que escrevia poesia quando adolescente, era tanta dor de amor, tanta vontade de amar alguém com tudo aquilo que tenho no meu coração que fantasiava e criava potenciais parceiras e potenciais companheiras, mas jamais chegava nelas, vivia no meu mundo de fantasia, não ia suportar rejeição. Jamais.

Alguém como eu que sentia tanto, a rejeição era a morte. Portanto era melhor fantasiar de ter uma namorada, do que tentar ter uma. Não era uma coisa normal, veja bem. Todo mundo tem medo da rejeição, mas aquilo ser algo de vida ou morte para meu sistema nervoso e na minha interpretação não é normal. E quem poderia fazer algo por mim naquela época???

Eu precisei passar por tudo aquilo, passar 7 anos juntos e depois mais 5 anos juntos. E depois de década e meia e 3 namoradas, aquilo pode-se dissolver. Que adulto sem super poderes, sem poderes de ver além da nossas 4 dimensões poderia me ajudar?

E podemos falar que aquilo estava certo para mim, e olha, digo era até que suportável. Eu não lembro como eu conseguia suportar e seguir, mas conseguia. Porém quando chegou a faculdade, aí eu já não conseguia suportar, e as fugas começaram, a fuga nos chocolates brancos, a fuga no sexo a um.

Era tanta dor que só podia ser amor.

A dor física dói e é excruciante, a dor emocional também doi, e também é excruciante, e ela vai e vem.

Como se permitir ser atravessado por ela, e deixar ela flutuar sem se apegar na dor, sem se apegar no amor. Deixá-los vir quando querem vir e deixá-los ir quando querem ir.

Aí minhas moças que não eram minhas, meus amores, pelo menos em vocês eu pude dar vazão ao que eu sentia. E isso eu tomo.

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