Pervasiva / Pervasivo

O Masculino e o Feminino. Falamos muito disso. O que são o feminino e o masculino?
Acho que em primeiro lugar são forças criacionais, não sei exatamente de onde elas vêm. Renato Shaan disse que Bert Hellinger disse que papai e mamãe são uma unidade que aparece dividida, ou pelo menos foi isso que eu entendi, ainda tentando compreender isso. E eu gosto bastante dessa ideia budista sobre dualidade e não-dualidade; a realidade que vivemos é muito dual, mas por trás das coisas tudo é unificado. Para nascermos, têm que existir a divisão e a nossa jornada de volta para casa e ver a unidade das coisas, talvez. Talvez assim seja na iluminação.

Ontem tive o maravilhoso prazer de ver algo sendo dissolvido. É tão gostoso poder olhar nos olhos da outra pessoa e ver que ela se sentiu vista em um lugar tão profundo, e que algo foi permitido se dissolver.

Meu terapeuta me explicou os 3 círculos, ou ao menos começou. No círculo do centro está a nossa essência, puro amor; no círculo mais externo estão todos os mecanismos do ego de afastar os outros, de colocar os outros na nossa carência, e num círculo do meio estão medo e vergonha. Cara, medo dá para entender, medo de amar alguém e a pessoa ir embora, medo de se deixar visto em quem realmente somos. Deve ser de fato tanto medo. Vergonha é curiosa, vergonha é diferente de culpa, vergonha é um sentimento social que é um sentimento de se sentir inadequado. Vamos elaborar um pouco mais.

A vergonha, diferente da raiva, da tristeza, da alegria e do nojo, não é um líquido bruto que aparece no nosso vaso, mas é um líquido que vem de uma alquimia mais complexa, porque envolve outras partes da nossa compreensão sobre o mundo. Para surgir o líquido da vergonha temos que combinar algo que está acontecendo ou algo que aconteceu, por exemplo, dei uma risada alta – precisamos combinar essa percepção de algo que aconteceu, que transformamos isso numa história com uma outra história – a outra história pode ser o olhar dos seus amigos e no olhar deles, a leitura pode ser, eles não gostaram, parece que tem não gostar no olhar deles – e aí isso pode causar um conflito com a imagem que quero passar, de ser uma pessoa legal – segundo o chatgpt é aquando a pessoa sente que valor, imagem, pertencimento ou dignidade estão ameaçados. Para mim, valor e imagem têm a ver com pertencimento. Eu gosto muito da visão das constelações familiares sobre isso, pois fala que o pertencimento é um direito a que todos têm a um sistema de origem. O direito do pertencimento, é uma das ordens. E que quando há alguém excluído de um sistema, isso causa muitos dos sintomas e sofrimentos que vemos hoje em muitos níveis na nossa sociedade. E eu gosto de pensar que o pertencimento tem a ver com o amor. Quando alguém é excluído, o amor para de fluir de forma saudável e, para o amor voltar a fluir, passos precisam acontecer para que uma ordem seja restaurada e o amor flua novamente. E para isso casa com a visão budista, a visão do Hélio Couto e de várias outras linhas, que Deus é amor, e que a iluminação é um caminho de amor puro, amor divino. E as desordens aparecem algumas vezes por abuso de alguma característica, tudo a serviço da consciência. A vida, e esse Deus, permite tudo, as coisas trágicas, horríveis e as coisas maravilhosas, a essencia de tudo que é nada nega, então numa vida o homem pode guerrear e na outra buscar a paz e assim aquela alminha ganha consciencia, e quando ela amar, ela vai amar muito profundamente, pois ela já vai ter vivido de tudo, e vai escolher o amor por consciencia, nao por culpa, nao por se privar de algo, vai escolher o amor por tudo que ele é. E talvez a vida coloque a pessoa em várias situações que ela a princípio não queria, mas ali vai estar a semente do crescimento dela. A vida é muito maior do que uma alminha, essas forças conduzem as alminhas a coisas.

Uma história que o Renato Shaan conta é sobre Gandhi e sua morte. Se pararmos para pensar, aí eu pensando na história que ele conta, é que Gandhi, mesmo depois de tudo que ele fez, ele ainda morreu e ainda foi assassinado. E ele sabia que ia ser ass-a-s sin-@-do e na noite anterior ele ficou pensando como ele iria olhar nos olhos de tal pessoa.

“Para que servem os remédios? Se eu tiver que morrer pelas balas de um assassino, terei que enfrentá-las com um sorriso no rosto. Deus deve me dar essa coragem.”

https://timesofindia.indiatimes.com/india/did-mahatma-gandhi-see-his-death-coming/articleshow/29574638.cms

Voltando, independentemente da glória que você alcançar nessa vida você ainda vai morrer. Ou seja, se você buscar glória e não crescer, e não se alimentar do crescimento que tiver, com as experiências que tiver, qual é o ponto? Cresça, faça as coisas que são importantes para você, torne-se mais disciplinado, mais consciente, mais amoroso. Talvez o caminho de todos não seja nessa vida se tornarem mais amorosos, mas talvez fazer algo para as outras alminhas terem seus aprendizados. O mundo tem 8 bilhões de pessoas, 8 bilhões de almas com livre-arbítrio, com traumas, com dores, com alegrias e amores também.

Ou seja, voltando, a vida permite tudo e, através dessas possibilidades, todos crescem. E o que isso tem a ver com vergonha, pois vergonha tem a ver em uma instancia, talvez, com pertencimento, se você faz algo que é diferente do que aquele grupo de pessoas aceita, você corre o risco de não pertencer. E também se você faz algo que causa alguma coisa ruim para a outra pessoa, a vergonha que vai vir da comparação do seu ato com a expectativa do grupo sobre um comportamento, vai levar você a talvez repensar seus atos e tentar melhorar numa próxima vez. Se as pessoas dão um presente de aniversário e você não dá, talvez você fique com vergonha e na próxima vez vai dar, e aquilo pode ser importante para aquele grupo. Se você não divide a comida que você tem com aquela pessoa, mas o resto do grupo divide, você vai ficar com vergonha e vai dar. Ou se você vem de uma sociedade ou de um grupo onde cada um tem que se virar para conseguir o que comer, e você divide a sua comida, os outros podem te julgar e você vai ficar com vergonha, e na próxima vez talvez você não divida comida, ou divida, sustente a vergonha porque aquilo é importante para você. Ou seja, a vergonha é uma ferramenta social, que às vezes pode nos retornar para algo bom e às vezes pode ser algo que precisamos sustentar para ir na direção que queremos.

Acontece que muitas das vergonhas enraizadas vêm de situações da infância que se cristalizaram, e já não estamos usando de nosso livre-arbítrio para influir na vergonha.

Por exemplo, se quando era criança fazia-se parte de uma família que não sabia sentir tristeza, ou não permitia isso, quando você estava triste falavam larga-mão, deixa isso de lado que não serve para nada, pode ficar preso na sua cognição um loop de sentir tristeza e ficar com vergonha, pois a tristeza não era aceita num grupo que você precisava pertencer para sobreviver, e que você queria pertencer para ser amado e amar. Ou seja, quando crianças, temos 2 loops rodando: a necessidade de pertencer para sobreviver e a vontade de se adequar para ser amado e amar.

Pensem sobre isso: quantos dos comportamentos que vocês têm vieram de algo que vocês precisavam fazer para sobreviver pertencendo àquele grupo, ou que queriam fazer para serem amados e amarem aquele grupo. Sem contar as ordens da constelação das crianças que adotam sentimentos de pessoas excluídas e que são puxadas para dentro de partes do campo da família a serviço da família – e que isso roda em níveis inconscientes e profundos. E as 3 coisas estão a serviço do amor num âmbito maior. E a pessoa nessa vida escolheu (seja lá o que significa escolher entre planos) nascer ali, e aquele destino está certo para todo mundo. Só depois de viver muitas experiências e adquirir paz interna depois de vivenciar e ver várias constelações é que foi possível começar a entender que o destino está certo como está, e eu comecei a ver o quão lindo e o quão mais amoroso eu me torno ao trazer uma informação do inconsciente para o consciente, e o quanto vivenciar situações difícies em vidas passadas ou na infância trouxe força ou clareza uma vez que os movimentos da constelação aconteceram. É como se energias ficaram estagnadas esperando fluir na direção do amor.

Enfim, isso é extremamente profundo e complexo. O mais importante é pensar que muitas das formas de como você lida com você e com as suas emoções, pensamentos e com os outros advêm do que você fazia para pertencer e para ser amado. Sem culpa.

Aí agora o caminho para a mudança requer força, e recomendo fortemente grupos de conversa, pois é mais fácil crescer compartilhando num grupo que acolhe, que escuta e que partilha daquelas histórias. Conversar como deveríamos conversar, como seres humanos abertos a crescer.

Voltando novamente, a vergonha é uma ferramenta social com um propósito social, com um propósito para os diferentes grupos e sistemas. Novamente, ela pode ser algo a ser transposto para alguém passar a ter novas atitudes, ou pode ser algo que faz a pessoa retomar os valores daquele grupo. Valores de um sistema é importante porque é através de valores que um sistema sobrevive e cresce. Filhos e filhas que nascem e transpoe a vergonha e a culpa para novos valores permitem a expansão da consciência daquele sistema (sejam filhos que vão passar a roubar num sistema onde não se roubava antes, ou filhos que vão parar de roubar onde não se roubava antes – nota sobre isso, as leis dos homens de alguém ser preso por fazer algo que está em desacordo com as leis são importantes para esse sistema maior da sociedade que vivemos, e também para a pessoa que cometeu o ato refletir e poder aprofundar o seu conhecimento e o seu amor sobre os outros). Em ambos os exemplos, a consciência do sistema e o amor do sistema vão crescer. Vai ser extremamente desafiador, mas vai crescer.

Eu estou enrolando aqui.

Vergonha, é uma ferramenta social.

Vergonha é uma ferramenta social

Vergonha é uma ferramenta social.

Vergonha. Pode ser como um juiz.

O que a vergonha tem a ver com o tempo de solução de algo.

Por que algumas crianças querem resolver a questão dos pais ou de outros adultos? Por que elas os amam, ou por egoísmo, por que elas querem que os pais parem de brigar porque isso os aflige? Não sei. Vamos considerar que é por egoísmo, que a criança não gosta de ouvir os pais falando algo ou não gosta de sentir sensações desagradáveis no corpo quando os pais ou os avós entram em conflito, ou quando os avós entram em conflito com os pais. Ou seja, a criança vai chorar toda vez que sentir uma sensação desagradável no corpo.

Olha, acho que é um bom princípio partir do pressuposto de que a criança vai ter uma reação quando sentir uma sensação agradável ou desagradável no corpo. Quero fazer uma adição a isso, como o sistema nervoso da criança se desenvolve desde a barriga da mãe e eu também acredito que a criança já traz uma capacidade de percepção única que vem da soma das vidas passadas, mais a soma das memórias dos antepassados nas células, a criança vai se moldando pelo comportamento da mãe e das pessoas em volta da mãe desde que ela está na barriga, somado a história dela mesma e a história da família. E essa alquimia produz uma unicidade única para cada um dos 8 bilhões, por mais semelhantes que sejamos astrologicamente e nos astros. Ainda temos algum bem sutil, único e individual.

Eu fugindo de novo.

O que a vergonha tem a ver com a pressa de se resolver algo que é dos outros e não da criança. Pela explicação sobre vergonha – vergonha passa pela criança fazer – e fazer pode ser um sentir – algo errado para aquele grupo. Melhor do que algo errado – algo inadequado, ou fora do esperado para aquele grupo – vamos com fora do esperado para aquele grupo.
Quando a criança faz algo que ela percebe que está fora do esperado para aquele grupo, pode ter até um susto — eu fiz isso, e agora será que está ameaçada a minha existência?
Isso é muito sério – a emoção do susto e de ter sua existência ameaçada é pervasiva e constante em todas as crianças. Susto.

Estou pensando sobre o que de susto fica. Será que o susto de uma criança permanece num adulto? Será que o susto de uma criança permanece num adulto? Eu acho que sim, que o susto de uma criança permanece no adulto depois. E pior ainda, o cérebro vai amalgamando várias situações num susto inicial e aquilo vira uma bola gigantesca – vira um sankhara com seu próprio campo eletromagnético que vai atraindo situações que reforçam aquilo.

Espera, para. Susto. Qual é seu susto mais profundo, você acha?

Olha, eu levei susto de alguma coisa? Eu acho que eu levei muito susto. Acho que eu me assustava muito fácil, dada a minha sensibilidade, acho que era um susto atrás do outro. Susto com barulho, susto com toque, surpresa com a agressividade alheia. Surpreso com a fato de tato de me ver dos meus colegas do ensino fundamental I. Pior, acho que eu introjetei emoção dos meus pais para dentro da minha pele. Introjetei a alegria suprema do meu pai bebendo um copo lindo de whisky – o copo era lindo pelos padrões e pela textura – como eu amava a textura daquele copo de cristal. Cara, isso é uma das coisas lindas e simples dessa Terra, os padrões dos copos de cristal. Aí e como eu ficava feliz com uns 6 anos ou menos vendo meu pai se sentindo satisfeito ao poder relaxar e soltar a tensão do corpo que ele trazia na rua. Eu podia ler a cara de alívio dele. E eu podia sentir no meu corpo a cara de alívio dele. E eu assistia a essa cena à distância dele e da minha mãe, e mais ainda eu sentia que meu pai queria que alguém ficasse feliz com ele, e eu por amor fazia isso, por amor, ficava feliz com ele, imaginando a sensação de segurar as vilosidades do desenho do copo dele. Imaginava como se os dedos dele fossem meus dedos segurando aquele copo, o prazer de tocar no copo, de receber o copo na mão, como se todas as surras, as dores de infância evaporassem ou se dissolvessem ou se acalmassem naquele momento no tocar do copo. Como se aquele braço fosse uma personalidade por si só. Fosse o ab[]s0 e a surra – quem aflige – e quem apazigua. Quem aflige e quem apazigua.

Pervasivo ou pervasiva. Uma entidade, não no sentido espiritual, uma entidade que aflige e que apazigua. E quem tem um rosto satírico. Que humor peculiar. Satírico é algo ou alguém que (eu vi o cronômetro dentro de mim que queria apressar minha compreensão sobre a palavra satírica – o feminino com o cronômetro, no tempo e na necessidade do masculino – enfim) utiliza a sátira. O que é sátira, é basicamente fazer o outros sentirem vergonha. E para que vai fazer o outro sentir vergonha. Se pensarmos numa sketch de comédia – ele vai expor coisas que os outros nem pensam sobre e vai fazer o outro se questionar sobre a sua atitude. Se é uma pessoa toda emperequetada, mas que não lava direito a sua roupa de baixo – ela não é muito consistente, a sátira pode expor isso debochando disso. Ou seja, vai expor as lacunas onde se necessita de crescimento. Isso é algo que eu acredito muito. Consistência muito profunda. E esse é um conflito interno que às vezes surge, a paralisia. E por exemplo, eu tenho uma certa resistência ao Tony Robins, que é um grande cara e que faz coisas maravilhosas por muita gente. Eu – e é só uma sensação corporal, ou talvez uma resistência – penso que eu gostaria de receber um método que vai numa camada mais profunda de transformação e não só numa camada prática. Tem muito dos seus méritos o que ele faz. E eu com certeza me beneficiaria muito dos métodos dele, ainda não tentei mas talvez um dia tente. E admiro muito que ele se expõe tanto assim para fazer o bem a tanta gente, me inspiro na força que ele tem, na capacidade que ele tem e no que ele tem feito pelo mundo. Me inspiro muito profundamente, e fico tão feliz. E isso me inspira a buscar as curas nas profundidades que busco. (Nunca expus esse pensamento publicamente, é a primeira vez).

Acho que esse é um dos meus valores – uma criação de mundo consistente, profunda – consistente vertical – onde todos os atos do mais simples movimento – talvez não o mais simples ou mais singelo, pq ainda não estou no estado de buddha – mas dentro do que eu tenho consciência e do que é importante para mim eu ter consciência nesse momento – dentro do que é possível e coerente para mim – criar o mundo interno e externo a partir desse valor. A partir do amor consistente. O amor a partir dos pequenos atos.

Não sei se posso ou se devo ousar voltar nisso, mas por que eu olhei para a janela daquele apartamento em São Paulo, ouvi os ônibus. Eu sorri para aquilo naquele momento e coloquei algo em suspensão. Eu amo essa palavra, partículas que ficam em suspensão num líquido ainda continuam disponíveis. Elas foram suspensas para se aprofundar dentro do líquido. Cara, como eu amava a Mars a as sensações que eu sentia no meu corpo vivendo com a Mars. Quanto amor cara. Quanto amor. (Sinto o amor percorrendo o Masculino, o Masculino ainda está muito colado no sentir. Uau). Suspensão não é negação. Suspensão.

https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQrhettEVUsthGX0KnAQjAdvUxks1b5-EksldNdm2FzYA&s

Engraçado, que antes de colocar essa imagem aqui, eu imaginava um líquido suspenso no outro, que ele não tinha percolado, ou penetrado, mas nessa imagem aqui, ele já está dentro, e isso me trouxe um alento, saber que o que eu deixei em suspensão está aqui já, está adentrado. Ou talvez seja mais como a imagem abaixo

https://www.preparaenem.com/quimica/por-que-agua-oleo-nao-se-misturam.htm

Me dava um desespero muito grande imaginar que o que eu tinha obtido eu tinha perdido, mas talvez ele só esteja suspenso, mas já está no meu recipiente. É só adentrar e não ficar mais separado como óleo e água. Não sei ainda.

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